Thursday, October 22, 2009

BH Drops II

Depois de quase três anos

O último post com o nome BH Drops foi escrito quando eu ainda morava na capital mineira. Quase três anos depois, 30 dias de férias e 8 dias seguidos nessa cidade onde morei até 2006. E a impressão de que a contabilização se aproxima. Penso que não poderei postergar nem mais um instante.

Fora do eixo

Quando se dá o giro e o pouso ocorre sob uma leve inclinação do tronco, é hora de corrigir a postura. Desequilibrio nunca é bom. Especialmente quando se trata de ver as coisas que nos cercam.

Porque é muito estranho querer alguém mas perder a identidade. Estar num lugar onde não nos sentimentos como se aquela fosse nossa casa, como se aquela não fosse nossa nova casa. Ainda que queiramos muito iniciar uma nova fase na vida, tentar um recomeço, a possibilidade de uma nova chance.
Mas oportunidade alguma ocorre naturalmente para corações enegrecidos ou espíritos intranquilos. Não há alma que aguente. Isso me atrapalha até hoje.

Dreadful weather

Chouveu. Como choveu por aqui nesses últimos dias. Tomei uma tromba d'água chegando na Contorno com Afonso Pena, perto do mercado distrital do Cruzeiro. Estou na tentativa de enxugar meus sapatos até agora.

Baião na rampa do Cruzeiro

O Mercado Distrital do Cruzeiro continua charmoso e intimista como sempre. Por sorte, os antigos ocupantes dos boxes lá existentes ganharam a licitação e mantiveram um ar quase noir. Ao longo de seus corredores, por entre as lojas e bancas, uma inquestionável sensação de bem-estar quando se está lá dentro.

É como se o mundo todo coubesse lá dentro. Como se tudo o que é necessário para uma pessoa viver bem estivesse lá. Nos meus tempos idos de belorizontinidade, ficava horas ali. Apesar dos sobressaltos naturais de uma alma cansada de ambivalência, conseguia encontrar coisas boas na vida. Certo conforto e sossego.

Friday, July 24, 2009

Hoo-ray, Mr. President!

Foi lançado hoje à noite, com grande espetáculo no Teatro Raul Cortez, na cidade de São Paulo, o Vale Cultura, um projeto do governo federal na linha do Bolsa Família e adjacências. Com o objetivo de permitir o acesso às modalidades de cultura para quem ganha até cinco salários-mínimos, os planos de governo é injetar no setor comercial da cultura um sopro de 600 milhões por mês, 7,2 bilhões anuais.

Conforme portal de notícias Último Segundo, o trabalhador contribui com R$5,00 mensais, enquanto o empregador banca os demais 90%, tendo vantagens como isenção fiscal e abatimento no IR. Mais ou menos na linha do que encontramos no Sesc e similares país afora.

Também na linha de países de primeiro time como o Canadá, por exemplo, que banca de forma pesada o acesso de cidadãos às modalidades culturais, com plena visão comercial, entendendo a atividade artística como uma espécie de indústria altamente rentável para vários extratos da economia e da população.

O que também aquece contribuição sindical e previdenciária de trabalhadores da área cultural (motoristas, contra-regras, eletricistas, sonoplastas, coreografos, técnicos de som, iluminadores, cenógrafos e mais um montão de gente que tem salário vindo da atividade de cultura).

Para os leitores virtuais desse modesto e humilde blog parcamente (quase nunca) lido, uma chance de botar na conta do governo a aquisição do meu primeiro romance, que em breve estará nas melhores (e também piores) casas do ramo e por aí vai.

Quando a gente senta a sandália, a gente senta a sandália. Mas também elogiamos rasgamente atitudes como a do governo brasileiro como essa injeção de ânimo numa área cada vez carente de recursos financeiros, especialmente para quem está começando a dar a cara a tapa.

Um salve pela iniciativa e atitude do governo federal!

Monday, July 13, 2009

Depois do baile


A derrota do Santos fora de casa, em Salvador, pelo placar de 6X2 contra a equipe do Vitória, na tarde-noite de ontem, no Barradão custo o posto do técnico Wagner Mancini.

Em reunião agora à noite, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, sinalizou o perfil do sucessor de Mancini. O chefe do poder executivo do clube manifestou preferência por um treinador experiente, com pulso firme para lidar com questões complexas, numa clara alusão ao caso do zagueiro Fabiano Eller. Ficou implícito que Marcelo Teixeira não digeriu bem a leniência de Mancini diante recusa do atleta em participar da partida contra o Sport no sábado, dia 04 de julho.

Pressionado pelos jornalistas, Teixeira não quis revelar qualquer nome para o cargo de técnico do Santos. Nenhum nome foi citado. O dirigente apenas antecipou que a escolha deverá ser bastante criteriosa, uma vez que o desejo dos membros ligados à área de futebol profissional do clube é o de um projeto a longo prazo.

Os dirigentes do alvinegro praiano continuam reunidos nesse momento na sede do clube, à Rua Princesa Isabel, s/n.

Vale a pena lembrar que já na semana passada o clube anunciou Clodoaldo Tavares Santana como novo supervisor de futebol, tendo como braço direito Luiz Antônio Ruas Capella.

Thursday, July 09, 2009

(You've been hit by a) Smooth Criminal



Bem...

Ainda que não sepultado em definitivo (ou até já foi, mas o grande público não sabe ainda quando e onde), vamos aqui a algumas considerações sobre um dos grandes ídolos da cultura pop(ular) do século XX, cujo falecimento ocorreu no dia 25 de junho do corrente ano.

Nascido em 29 de agosto de 1958, na cidade de Gary, um dos principais municípios do condado de Lake, estado de Indiana, Estados Unidos, Michael Joseph Jackson talvez seja uma daquelas existências exemplares nas afirmações de que: a. nem tudo parece o que realmente é, b. nem tudo é capaz de trazer felicidade, c. superações podem ser um pesadelo, d. a técnica (entendida como racionalismo instrumental, Escola de Frankfurt, 1927) pode matar e finalmente, e. um convívio pode matar (ou o inimigo dorme com a gente, como queira).

Michael Jackson foi réu. Nas diversas incursões em tribunais de Los Angeles, Califórnia, por pedofilia. O grotesco, detestável, repulsivo e abominável abuso sexual de crianças não pode ser justificado por sua infância pavorosa e a falta de vivência das várias fases da vida. MJ serve de exemplo quando se queima as famosas etapas da vida. Vivendo coisas erradas na horas erradas. Essas experiências servem de bagagem? É discutível. MJ não teve infância. Viveu sob as violências do pai, Joe Jackson, na agrura de carregar nas costas desde os 5 anos de idade um sucesso retumbante ao redor do planeta que foi o Jackson's Five.

Um réu é vítima? Pergunta perigosa de resposta canhestra. Ou no mínimo perturbada. Há pessoas que passaram pelo que MJ passou e não enveredaram pelo mundo do crime, da contravenção ou da falta de pudor completa. Uma frieza de análise no caso dele é complexa. Difícil de alcançar. Porque o alcance da qualidade da técnica debaixo de porrada do pai não é vida para ninguém.

Por que as pessoas correm para a técnica como um ferido é levado para o pronto-socorro? Simples: a. porque uma técnica pode valer sua sobrevivência e consequentemente, b. pode te tirar da merda. Simplesmente porque a técnica faz com que você se sobressaia dos demais, você deixar de ser mais um rostinho condenado na multidão. E tirar os Jacksons da merda foi a profissão de MJ, desde os cinco anos de idade. Sem direito a férias, feriados prolongados, aposentadoria e facilidades previdenciárias.

O médico argentino Dr. Ricardo Hector Ojunian, criador da educação política (no Brasil há 30 anos sob a égide do nome educação emocional), é taxativo em sua afirmação: quando o corpo adoece, ele (o corpo) está dizendo para o paciente que ele (o corpo) não suporta mais a história de vida do sujeito. Vitiligo, cirurgias, achaques, surtos, dor. Dizer que MJ não psicossomatizou sua história de existência é querer me escalar para otário. Era público, era presente, era incontestável.

Michael Joseph Jackson não soube fazer outra coisa na vida a não ser perseguir a técnica. Mas como todos bem sabem, a técnica, fora da humanidade, mata. Porque não é de lavra própria, mas um advento exógeno que rouba o sono, tira a calma, perturba a mente. A doença do século XXI. Quantos de nós não são obrigados a utilizar camisas-de-força nos nossos trabalhos, empurrados a utilização de técnicas que quase sempre não tem nem pé, nem cabeça? Sempre jovens, sempre ativos, sempre dinâmicos, sempre atraentes, onde nunca, nunca se pode envelhecer?

Depois do disco Thriller, de 1982, lançado pelo selo Epic, com produção de Quincy Jones, pensou-se ele chegou no ápice, será impossível fazer algo tão bom quanto esse trabalho. MJ estaria vivo hoje se ele realmente não tivesse se superado ao longo da carreira. Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? O que seria muito imporvável, de repente, aconteceu. MJ foi melhor em Moonwalker, filme produzido seis anos depois e mostrou um artista senhor de uma técnica sem igual.

Dali em diante, o resto da história que já conhecemos bem. Um MJ que surtou. Ficou doente, variando aqui e ali, numa metamorfose contínua e destrutiva. Não deu conta da superação em Moonwalker, da idéia de que podia, sim, não ficar preso à excelência de Thriller. De ser superior às produções, às músicas, a qualidade das composições. Tudo pode, tudo é fluído, tudo vai, tudo vem, tudo é possível. Por que o homem domina a técnica?

E eis que veio, como uma doença silênciosa, os ventos do compact disc, conhecido popularmente como CD. E o que era um clubinho fechado virou massificação de transmissão de músicas (uma vez que o fonograma virou dados) e democratização dos softwares de produção, gravação e edição de sons. Qualquer um no silêncio do quarto de casa produzia um trabalho no mínimo decente. Em sites como o Playlist fica fácil ver que artistas de música hoje não precisam beijar o anel do senhor contratador para por a banda na estrada.

Ou seja, artistas de música hoje são muitos. E proliferam. Estão na Web, nos MP3, nos video-games. O que era raridade num artista e que havia em abundância em MJ começou a passar despercebido em oceanos e mais oceanos de novidade. Às favas com a tradição, às favas com a heráldica, às favas com a raridade.

Só para se ter uma idéia, um homem que vendeu com Thriller algo em torno de 70 milhões de cópias ao redor do globo teve de encher a veia do pescoço para tirar 2 milhões, somente nos Estados Unidos, com seu disco Invincible, de 2001, pela Sony Music. E suas desavenças com o presidente da gravadora, Tommy Mottola, um executivo mais preocupado como executar beldades como Mariah Carey e a mexicana Thalia num quarto escuro, acusado por MJ como um racista de carteirinha, foram a pá de cal e caminho aberto para os escândalos que envolveram o cantor anos a partir dali.

Mas MJ não sabia fazer outra coisa na vida a não ser perseguir a técnica? Mas... Que técnica?

Quem realmente se importava com técnica naquela altura do campeonato. Um dos grandes nomes da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, era enfático em afirmar que a técnica, uma vez oriunda desse bichinho inconstante que é o ser humano, pode desaparecer. Pode cair em desuso, não causar mais o interesse de ninguém. Enfim, MJ estava finalmente perdido, mais do que nunca.

Mas como a herança de sua família fora a chibata e a perseguição à técnica, as dores aumentaram e a paralisia, em vários sentidos, se instalou. Até o defeito final. A última das paralisias. O Rei do Pop levou para a campa um epílogo dolorido e amargo. Fruto das marcas desse convívio esquizofrênico com a família. Porque se os filhos não sabem os danos que causam na cabeça dos pais, os pais também não sabem do quanto contribuem para as grandes derrocadas dos filhos. O que seriam sólidas pilastras na construção de uma personalidade e psiquê saudáveis podem bem encurtar bons anos de vida.

Michael Joseph Jackson, nascido em Gary, Indiana, Estados Unidos, em 29 de agosto de 1958 e morto em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, em 25 de junho de 2009, R.I.P. Finally... And last.

Tuesday, June 16, 2009

Tomei um dramin e fui à luta...



Foi um ato coragem. Do blog do Azenha, parti para o portal do Luís Nassif e do portal fui para uma íntegra online da entrevista do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, na Isto É. Foi difícil. É preciso sacar o dramin e encarar uma certa dose de boçalidade que, em geral, acaba em náuseas e vomitos sem fim.

Se parte da opinião pública não vai lá muito com a lata do presidente do Supremo, depois dessa entrevista, não sei. Jogo a toalha. O próprio ministro Gilmar Mendes acha que a turma da corneta é orquestrada e magnamicamente paga. Ou algo parecido. (sic) Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas não me cabe questionar isso. Tenho inúmeras manifestações de apoio em todos os setores, nunca tive nenhuma dificuldade de andar pelas ruas. Que bom!

O próprio Luís Nassif sapecou um arrogância e desinformação. Entende-se. Quando indagado da sensação de impunidade que a população em geral teve quando do habeas-corpus do banqueiro Daniel Dantas, do banco Opportunity, ele salientou que a luta do STF é grande para por o Judiciário nos eixos e fazer valer o estado de direto. Uma luta quase política. Indagado novamente sobre a lentidão do STF na punição de membros do parlamento, ele reagiu:

(...)Gilmar - Não é verdade. No passado, vamos encontrar pessoas que foram condenadas ou absolvidas. Mas, especialmente após a Constituição de 1988, os processos estavam parados. Esses processos só retomaram o seu curso normal a partir de 2002, 2003. Então, esse discurso é falso. Estamos cheios de lenda urbana, porque estamos no meio de uma luta política em que, mesmo pessoas sem formação jurídica, às vezes de formação jurídica não suficiente, transformaram-se em lutadores.

ISTOÉ - Como assim?

Gilmar - São gladiadores da opinião pública. Repito: essa tese de a Justiça "ouvir as ruas" (defendida por seu desafeto, ministro Joaquim Barbosa) serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista.(...)

Quando o ex-deputado e chefe da Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro, Hélio Luz, afirmava que a polícia faz política de proteção da elite do Estado, de quem tem influência e força dentro dessa elite, achei, sinceramente, que era um baita exagero. Quebrei a cara. A elite do Estado não somente tem sua própria polícia política como tem seu capitão-do-mato. Muita doutrina jurídica e pouco savoir-faire. Técnica nota mil, sabedoria e bom-senso nota zero. Seria bom avisá-lo que, segundo Theodor Adorno, a técnica pode desaparecer. E ela só pega de surpresa em seu desaparecimento quando se extrai a técnica de seu contexto social.

É por essas e outras que ministro Gilmar Mendes presidente do Supremo é meio que o fim-da-picada. Ou o começo dela.

Thursday, June 04, 2009

No éter



Na madrugada do último dia 31 de maior para 1º de junho, o vôo 447 operado pela companhia aérea Air France saído da cidade do Rio de Janeiro com destino à Paris simplesmente desapareceu. Uma aeronave de fabricação da Airbus, cujo modelo responde pelo nome de A330, sumiu na alça de travessia do oceano Atlântico, uma rota que vai da costa do estado do Rio Grande do Norte, Brasil, até a costa do Senegal, continente africano.

Suspeita-se, devido à altitude, velocidade e a péssima condição meteorológica, que a aeronave tenha se desintegrado durante a queda. Num primeiro momento, devido a falha elétrica indicada pelo monitoramento remoto em terra que esse modelo da Airbus apresenta, acreditou-se na possibilidade de explosão antes do avião cair na água. Grandes manchas de querosene encontradas nas primeiras buscas, jutamente com os relatórios em terra que indicavam forte processo de despressurização da aeronave, porém, corroboram a tese secundária de desintegração do avião durante o vôo e a queda.

Três eventos recentes envolvendo o modelo A330, da Airbus, são dignos de nota. Todas elas envolvendo uma repentina queda durante o percurso, mesmo em condições meteorológicas ideais. Foi assim no vôo da TAM e em dois acidentes envolvendo aparelhos da companhia aérea autraliana Qantas. O caso Qantas pode dar um bom exemplo do que aconteceu com o avião da Air France: o avião estava na terceira hora de vôo, cruzando o espaço aéreo da Austrália, quando o computador do piloto automático sofreu uma pane e fez com que o avião mergulhasse abruptamente. A mudança de altitude jogou dezenas de passageiros contra o teto da aeronave e derrubou malas que estavam nos compartimentos de bagagem de mão.

As investigações do dois acidentes da Qantas mostram falha no programa de auxílio à navegação e sua comunicação com controles remotos em terra. O trabalho sobre o incidente no Airbus A330 chegou à conclusão de que houve uma falha em alguns sitemas eletrônicos usados pela aeronave para controlar o piloto-automático. Um aparelho chamado Adiru (sigla inglesa para Unidade de Dados Aéreos de Referência Inercial) falhou e passou a enviar dados errados de ângulo de voo, velocidade e altitude para o computador principal, que controla o piloto-automático. Por alguma razão, o computador ignorou os dados corretos de outros sistemas. No lugar de usar os dados corretos do sistema, o computador usou apenas as informações do Adiru que estava com problemas.

O que indica hipoteticamente que o mal funcionamento do Adiru pode ser ocasionado por algum problema na sintaxe do software que atua como plataforma operacional desse aparelho. Uma simples vírgula ou qualquer elemento estranho à linguagem utilizada na construção do programa pode ocasionar comportamentos tremendamente estranhos na performance do Adiru.

O que nos leva a duas hipóteses: a. sabotagem e, b. ataque terrorista. Todos os dois bem engendrados no caso do A330. Sabe-se que há diferentes níveis e camadas de criptografização que visam proteger qualquer tentativa de se alterar a sintaxe do programa. Porém, o encontro de uma chave de descriptografização atua como abrir uma fechadura com uma chave de alguém que não é de casa, ou que não seja de alguém da família que mora naquela casa.

Um golpe de mestre, sim, mas comum nos dias de hoje. Se tal evento for realmente verdade, certamente nos remete ao livro de Dan Brown, Fortaleza Digital, onde o enredo envolve uma equipe de criptografia do National Security Agency, a Agência de Segurança Nacional do governo norte-americano, e suas agruras para evitar a democratização de um algoritmo praticamente indestrutível, um padrão de criptografização simplesmente inabalável.

A perguntar que não quer calar é: se houve no caso do vôo 447 da Air France um ataque terrorista, por que até o momento ninguém assumiu a autoria do atentado? Porque os grupos terroristas tradicionais, conhecidos do grande público, não possuem esse nível de articulação e atuação (é necessário conhecer muito de matemática e linguagem de programação para se atingir essa proficiência) ou porque os principais serviços de inteligência fizeram absolutamente de tudo para abafar o caso?

As caixas-pretas do A330 da Air France poderiam nos dar boas respotas se houve ataque na plataforma operacional do Adiru ou não. Mas a profundidade do Oceano Atlântico é um trabalho de vulto. Caixas-pretas, aqui vamos nós... Custe o que custar...

Sunday, April 26, 2009

Santos Drops XV

Obituário

Se a vida sobre a face de um terreno é a história desse terreno, cabe aqui comunicar o que muda nessa superfície, ainda que manobrada pelas mãos dos homens. Até mesmo porque os homens habitam suas moradas, em nosso país feitas de cimento, tijolo e pedras.

Porque várias construções super a superfície de Enguaguaçu deixaram de existir. Sob o pretexto do ... progresso ... E dane-se as memórias afetivas e tudo de ótimo e de péssimo que vivemos dentro ou fora dessa construções.

Já faleceram há algum tempo. Mas vale o registro dessas construções que, um dia, existiram. Infelizmente, boa parde dessas passagens à Av. Ana Costa.

A pizzaria Zi-Tereza deixou de funcionar há muito, mas o prédio, situado bem ao lado do Cine Roxy (que se transformou num multiplex), também foi posto ao chão. Dou um doce se alguém advinhar o que vai pintar no lugar.

O Cines Iporanga 1, 2 e 3 de tempos idos e glórios, viraram uma espécie de borboleta. Deixaram de existir no formato da foto ao lado, para se metamorforizarem num complexo comercial-residencial-shopping, bem mais confortável e com lugar para estacionar. Com a falta de lugar para estacionar no Gonzaga, até que um estacionamento ali cai bem. Mas o glamour de um cinema com portas para à rua que vá às favas.


O Cines Indaiá 1 e 2, mais o Hotel Indaiá. Numa obra de demolição incrível (lembro que morava em Belo Horizonte ainda, quando a demolição começou. Foi tijolo a tijolo de um prédio de 9 andares. Cada vez que eu vinha passar os feriados em Santos, um pedaço a menos do Indaiá). No seu lugar, um prédio de apartamentos. Ainda não sei se haverá os cinemas, como no projeto do Iporanga. Os Cines Atlântico Studio I e II hoje bem servem de Americanas e McDonald's. A entrada desses dois cinemas era um convite a ver o filme. Muito melhor do que uma pífia e horrosa loja de departamentos que vai se favelizando aos poucos, uma vez que as Americanas está migrando para vendas online.

E o terreno entre o Roxy e o Indaiá, onde há pouco funcionava a pizzaria Micheluccio, também faleceu nesses dias.

Tudo isso por conta do pré-sal?

Só para quem é santista

Mas nem tudo está perdido. À Rua Espírito Santo, 120, no Campo Grande, sobrevive, resiste e, de uma certa forma, vence, a mais famosa, a Doces Praiano. Com o melhor e mais gostoso biscoito de polvilho do mundo! (... e olha que eu já comi biscoito de polvilho Brasil afora). Nada, absolutamente nada se compara ao biscoito de polvilho da Praiano. Quem realmente é santista da gema, tem o gosto da praia toda vez que morde um biscoito de polvilho. Um DNA santista pacas. E devemos isso a nossa gloriosa Doces Praiano.

Apesar de todos os MBAs, pós-docs em finanças e administração, sabe como a Doces Praiano sobrevive? Indo exatamente contra as correntes da administração moderna. Uma empresa que decidiu ficar nanica, que não ampliou seus horizontes, mais santista do que eu. Que se dane esses novos paradigmas da administração: uma empresa que passou de pai-para-filho e que gasta aquilo que arrecada, sem se enfiar em linhas de crédito proibitivas e que fecham portas de lugares tradicionais. No melhor estilo soverteria Universal, à Av. do Contorno, em Belo Horizonte.

Final

O estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, agora à tarde, recebe o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista de Futebol desse ano. Que eu me lembre, fazia muito tempo que o Santos não recebia um jogo de final aqui. O último foi a Copa Conmebol, em 1998, quando o Santos venceu no jogo de ida, aqui, o Rosário Central, da Argentina, gol do zagueiro Claudiomiro.

O campeonato é do Corinthians. Dois empates e o título fica em Parque São Jorge. Mas jogar na Vila, contra um embalado Santos, sempre é trabalho de vulto. O risco do Corinthians se enrolar para o segundo jogo no próximo final de semana é grande. É tentar perder de um placar não muito dilatado.

E que vença o melhor!

Tuesday, April 21, 2009

A essência da ficção - I



Feriado com chuva e a gente tem de arrumar alguma coisa para fazer em casa, a fim de sobreviver a alguns programas meio pobres que a gente encontra na televisão. Tudo por um dia de sol, igual ao último domingo, que me rendeu fotos espetaculares como essa que está ao lado.

Mas, enfim, como nada é perfeito...

Valerá a máxima de que, todos nesse feriado, descansaram. Pelo menos o corpo. Já que as mentes tiverem que se interiorizar para pensar um pouco na vida, porque com a chuvinha lá fora...

Como há muito não escrevia nesse blog, em especial no tag de literatura, aqui vamos nós ao som de This Fire, do Franz Ferdinand... E seja o que Deus quiser...

Como escritor de uma primeira obra ainda inacabada, pelo mesmo motivo de que não sou frequente no meu próprio blog (a luta pela sobrevivência atendendo uma grande corporação internacional é para poucos, além de um grande consumidor do precioso tempo escasso que nos resta), venho aqui tentar apresentar para essa entidade próxima do utópico chamada leitor-do-meu-blog (está cada vez mais difícil achar alguém que passe mais de cinco minutos nessas humilíssimas páginas) do que é feita a ficção.

E entendendo ficção como sem referência a uma realidade, existente e concreta, além de fotografar o mais precioso dos bens na área literária e por muitos escritores abandonado, que damos costumeiramente o nome de estética.

Se o Belo é um valor ou um destino a ser alcançado, convenhamos que mais da metade da vitrine da Realejo Livros na Marechal Deodoro é papo de jornalista ou leitor com uma baita preguiça de persegur o valor estético. Constatação triste. Mas como o mundo é uma merda e fomos nós que o inventamos no formato como está, onde tudo é leniente, tudo é fluído, tudo pode, tudo é possível, botemos fogo em Hypias e a Contigo! embaixo do braço e vambora...

Sabemos que o século XX inteirinho foi obra do inimigo, mas entre mortos e feridos, algumas contribuições são incomparáveis. Valem tanto quanto a descoberta da piniscilina, do homem pisando na lua, do genoma, da invenção do ar-condicionado e da direção hidráulica. O conjunto de pensamentos sobre A Filosofia da Linguagem se nos foi favorável quanto ao processo de como podemos externar nossos movimentos de alma, teve como senão ser ignorada pela Escola de Frankfurt, que décadas mais tarde preferiu Freu a Wittgenstein (1889 - 1951). Mas isso é problema deles, não meu.

Na Filosofia da Linguagem, são três os pilares, simultaneamente e ao mesmo tempo cercando fases diferentes, o alemão Gottlob Frege (1848-1925), o inglês Bertrand Russel (1872-1970) e uma austríaco de nascimento, mas de vida acadêmica britânica, Ludwig Wittgenstein (Viena, 1889 - Cambridge, 1951).

Como matemático que era, Frege talvez tenha sido o último dos Moicanos a tentar abordar, derradeiramente, a Matemática pela Lógica, quase que impondo a si mesmo enxergar a primeira pelo prisma da segunda. Até conseguiu. Mas quando partiu para A Filosofia da Linguagem, viu que o buraco era mais embaixo e os viagras que tinha em mãos não era o suficiente para uma noite completamente entregue a sanha de concupiscência.

Frege passou muito perto no que Ferdinand de Sausurre chamou de significante-significado. Entender uma sentença como A capital da Inglaterra é Londres possuir a mesma lógica de 2+2=4 realmente faz todo o sentido. Mas concluir, logo, que nesse caso 4=Londres vai uma grande diferença. Se tivesse lido Sausurre, não teria passado esse apuro.

Porque na ficção, basta que o significado dos elementos que formam um predicado nominal sejam compreensíveis para que uma afirmação, ainda que falsa, seja compreendida pela massa da população. Apegado à Lógica, Frege se perdeu na questão do sim e não, do vale e não-vale, do liga e desliga, do verdadeiro e falso, principalmente. Para programar um computador não há coisa melhor. Daí se entende porque a maioria dos programadores raramente enveredam para a literatura de ficção. Não se sabe se lhes faltam o talento ou se o mundo é divido em sim e não, verdadeiro ou falso, liga e desliga.

Talvez o que tenha lhe faltado foi compreender melhor a questão do sentido, que numa obra de ficção, literatura de fôlego, foge um pouco da razão ou de uma Lógica, como a entendemos dentro da filosofia e da matemática.

Até mesmo porque entra na jogada a questão do valor de verdade, que de uma certa forma tem tudo a ver com Sausurre e menos com Frege, apesar de sua inestimável contribuição. Se numa sentença como A estrela da manhã é a estrela da tarde, ou seja, a=b, seria necessário que o leitor da frase soubesse que o enunciado se remete ao mesmo referente.

Para que o(a) leitor(a) da frase entenda que A estrela da manhã é Vênus e que A estrela da tarde é Vênus, e assim, a=b, o(a) estimado(a) partícipe precisa: a. saber que Vênus é um planeta e b. saber que Vênus brilha ao final das últimas horas da madrugada e no início das primeiras horas da noite, quando o sol se põe.

Se a Lógica e a Linguística não fogem a questões cognitivas, logo o fundamental da questão, e para que o valor de verdade funcione para o receptor do enunciado, continua sendo a cognição. Tromba de elefante e mangueira fundamentalmente esguicham água, mas há uma diferença abissal entre os dois. Mas quem não procurou saber do que se trata uma tromba de elefante e uma mangueira, a semelhança perde sentido e o valor de verdade perde força.


Id est, cognição não aguenta uma cachola vazia. Ainda bem que não atiraram todos os livros na fogueira e que os reality shows jamais vencerão um bom texto escrito. Mas esse nó sobrou para Bertrand Russell desatar, habilmente descrito num próximo post. Aguardem!