Friday, March 16, 2012

Quando as palavras não dão mais conta

   O diretor alemão Wim Wenders chamou o diretor de arte Péter Pabst e os diretores de fotografia Hélène Louvart e Jorg Widmer para um tributo. Um tributo ao que chamamos de gênio da raça. Aquelas pessoas cujo trabalho contribuiu para o engrandecimento da raça humana. Mostrar ao redor do globo, para aqueles que não a conheciam, e para aqueles que estão com saudade, a face artística de alguém que marcou época, marcou a dança e marcou o espírito humano: a bailarina e coreógrafa Pina Bausch.
  Conhecedor de sua obra e próximo da coreógrafa, Wenders esmagou a tecla do gatilho, certo de que nenhuma alma, mesmo as sem sopro, sairiam ilesos da força da arte. Incomodar o público diante da arte, do conceito, da formação, da técnica, da beleza e do encanto. Win Wenders de cineasta virou um snipper. De tiro certo, calmo, senhor do que queria sobre a tela, dominando cada canto e cada pedaço de sua descrição.
   Realmente, é difícil enquadrar Pina numa categoria. Wenders filmou as montagens de quatro coreografias de Pina Bausch: Le Sacre du Printemps, Café Müller, Kontackhof e Vollmond, com a presença dos bailarinos que formaram sua companhia, a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch. Intercalando cenas das coreografias originais com a remontagem especial para o filme, trechos com a própria coreógrafa e contribuições dos bailarinos da companhia e demais convidados para o filme, Pina é olho da não-dança, de quem não é bailarino, ressaltando o que a dança tinha de mais importante na visão de Pina Bausch: Quando as palavras não dão mais conta, só nos resta o movimento.
   Essa essência de Pina, que norteou o caráter artístico de seu trabalho, é preservado e presente ao longo de todo filme. Ousando em cenários ora ao ar-livre, ora no palco, Wim Wenders decretou um filme com a mesma sintonia que Pina Bausch teria se tivesse que filmar suas próprias coreografias. A força a partir da sutileza, o olho que Pina Bausch possuía do vigor a partir da fragilidade. Dentro de um corpo além do movimento, imenso em sua sensibilidade para a interpretação.
  Na primeira parte do filme, entende-se porque Pina Bausch trabalhou com aqueles bailarinos da Tanztheater Wuppertal. Foram muito além da dança em si, carregaram as coreografias com a potência de interpretação. Nada substitui ir além de ser apenas um bailarino, não há valor maior no mundo do que a união do movimento com a interpretação. É sublime, assombroso, ver tão de perto que não se tratou somente de dança, de dançar para não se perder. Pina Bausch não apenas abria aos seus bailarinos a criação do movimento como contribuição coletiva. Ela demandava deles não se esconder atrás das pilastras do medo, era preciso interpretar o que se dizia quando as palavras já não davam mais conta. A interpretação era a marca.
   Dotada de um espírito horizontalizante, abrangente e acolhedor, Pina Bausch não construiu reputação: edificou o dever da emoção, o dever do tácito, no fazer e na materialização artísticos. Deu importância ao movimento pelo viés de interpretar e permitir a justaposição de significados por parte do público. E o filme de Wenders, nesse aspecto, foi brilhante. Na sua condição de espectador, mas de contribuinte na restituição e reconstituição de signifcados, o diretor não pôde ser mais feliz em colocar algo tão vigoroso nas telas.
   Wim Wenders dá um banho na pirotecnia rasteira hollywoodiana ao mostrar que a exibição 3D também é uma voz narrativa e que não serve apenas para bonecos cibernéticos darem pernadas em aventuras que levam o público do nada ao lugar nenhum. O filme conta apresenta os depoimentos dos bailarinos, com a imagem de cada um que contribuiu nesse tributo, mas com o áudio em off. O espectador apenas vê o rosto do bailarino em destaque, mas sem abrir a boca. Wenders tira os depoimentos ao longo do filme daquela mesmice usual dos documentários, alguns, inclusive, que mais parecem parecem averiguação policial, especialmente quando contam com um editor tremendamente inábil.
   Wenders prova que o 3D não substitui a direção de arte (em Pina, assinado por Péter Pabst) e nem tampouco renega a um plano menor a direção de fotografia (de Hélène Louvart e Jorg Widmer). A percepção dos espaços utilizados como cenário, um enquadramento perto do inusitado e a escolha da luz como elemento semântico da expressão e da interpretação tornam Pina passagem obrigatória para quem gosta de dança, ou gosta de cinema, ou acha que é um profundo connoisseur da captura e reprodução em 3D.
   A missão foi cumprida. Realmente, ficou difícil para a Academia entender Pina como um documentário apenas. Mais um. Pina é o tributo a uma das maiores coreógrafas que a história da dança já teve. Um filme que fica entre o documentário e uma obra de arte. Uma lição de cinema, uma lição de sensibilidade e um evento que reconstitui e resgata a arte dos simulacros pífios e mal-acabados que andam assolando esse início de século.

Saturday, March 03, 2012

FESTA 54: Críticas comuns a artistas - Antônio Carlos Dantas, o Toninho

   A partir de hoje, o Pela Proa passa a integrar a rede de blogs que fará parte dos preparativos e divulgação do FESTA 54, cuja abertura será no dia 13 de abril, com participação de grupos teatrais tanto do litoral paulista quanto de outras localidades de nosso país.
   De longe, um dos festivais (talvez, o mais antigo) de maior longevidade nas artes dramáticas do Brasil.
  A cada semana, o Pela Proa trará um texto alusivo às grandes personalidades que começaram suas carreiras ou passaram pelos palcos do FESTA.
  Nesse texto de abertura, ele, que nos deixou recentemente e, como sempre, sem ninguém a altura para substituí-lo, o querido e eterno Toninho Dantas. 

Antônio Carlos Dantas, o Toninho.

   Quem não gosta de cinema? 
   Quem já não foi lá namorar sob as luzes de um Brad Pitt, uma Julia Roberts, um Jack Nicholson. Agora, pra quê perder tempo com filme independente que ninguém vê? 
Pois é, já fui naquele Curta Santos, e os únicos famosos estavam só na abertura do festival. E ainda tem muita gente que vê aqueles filmes pequenos, experimentais.
  Artista é uma raça que não se enxerga! E aquele Toninho Dantas, guarujaense de 1948, criado em Cubatão, mas que veio numas de ganhar os palcos e a vida aqui em Santos até quando pôs o bloco na rua, em 2010?
   Toninho era filho de casal analfabeto, tentou provar que as artes são para todos e meteu as caras na Escola de Arte Dramática da USP. Quem diria, ainda foi trabalhar na TVs Gazeta e Record. Só gostava mais de telona, né? Fez cinema na famosa Boca do Lixo paulistana, atuou com atores e diretores como Adhemar Guerra, Cacá Rosset, Augusto Cesar Vannucci, Ester Góes e Ulysses Cruz.
   Um coração dividido. Nunca deixou de lado a paixão antiga, secreta, rasgada e libidinosa. Integrou o Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, interpretou Rasga Coração com Raul Cortez, e com Tanah Corrêa e Ruth Escobar fez Revista do Henfil. Loucura querer falar dos personagens sobre um foragido, grande inimigo do governo.
    Pior ainda era fazer campanha em 14 estados pela anistia e realizar espetáculos durante o período militar. Além de realizar espetáculos em presídios nas cidades de São Paulo (Carandiru), Recife (Ilha de Itamaracá) e Salvador, quando acabou sendo preso em Porto Alegre, juntamente com outros atores da Cia. de Ruth Escobar.
   É provável que essa ousadia insana de Toninho tenha custado sua audição. E algo o parava? Produziu duas edições do Festival de Música Popular Brasileira (Festhamar) em Santos. Foi eleito várias vezes presidente da Federação Santista de Teatro Amador, então responsável pelo atual FESTA - Festival Santista de Teatro.
   Nas décadas de 80 e 90, esteve à frente de sete edições, pautando várias vezes como tema a questão da democracia, da liberdade. Juntava dança, cinema, artes plásticas, música e outros segmentos num mesmo festival. Como se todos falassem a mesma língua. E além de profissionais, todo cara metido à ator queria fazer teatro só pra tentar participar do evento.
  Sem cansar, gerou desde 2002 o Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens. Aí é que complicou, porque as pessoas não queriam só fazer teatro, mas registrar o teatro nas câmeras pra serem exibido nas salas de cinema. Em algum grau, de uma certa forma, revolucionou as linguagens cênicas ao querer fazer acreditar que qualquer pessoa pode estar nos holofotes. Enfim, um tremendo cascateiro, como se todos pudessem ter a anistia de viver seus sonhos no mundo das artes.

QUEM É? Na fotografia, Toninho finge ser o político que também lutou pela anistia na ditadura militar. Em posição épica, tal personalidade concorreu as eleições presidenciais de 1889 até 2006.

FESTA 54. Criado em 1958, por Patrícia Galvão, a Pagu, o FESTA é o festival de teatro mais antigo em atividade no País. Em 2011 foi laureado com a Ordem do Mérito Cultural, concedido pelo Ministério da Cultura às realizações artísticas que mais contribuem para o cenário brasileiro. Realizado pelo Movimento Teatral da Baixada Santista, este ano trata o tema Arte, Política e Pensamento. A sua 54ª edição será entre os dias 13 e 21 de abril.

MOSTRA PARALELA. Até 13 de março, grupos teatrais da Baixada Santista poderão se inscrever na programação do FESTA 54. 

Saiba mais: www.festivalsantista.com.br

Friday, March 02, 2012

Lição aprendida

No dia 08 de janeiro, publiquei neste humilíssimo blog um post sobre as lições aprendidas pelo Santos e pelo seu presidente, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, o LAOR, depois do sacode sofrido diante do Barcelona na final da Copa do Mundo de Clubes no dia 18 de dezembro de 2011.
   Após o retorno do Japão, LAOR tratou de se desfazer da equipe de futebol feminino (bi-campeã da Libertadores) e da equipe de futsal (atual campeã brasileira). A impressão que se teve daqui do lado de fora é de que havia chegado a hora de concentrar esforços naquilo que realmente importava para a vida do clube: seu time de futebol profissional masculino.
   O altíssimo salário de alguns jogadores do atual elenco (o mais alto deles, o do atacante Neymar) não permitia brincar de torrar a receita com luxos que não davam o menor retorno e, ainda por cima, deviam comer quantias substâncias que, mais a frente, fariam falta para a manutenção das grandes estrelas do time.
Dentro de um cenário onde o Santos não encontra nível de competição, manter determinadas atividades sob o risco de minar o clube financeiramente era uma aventura completamente desnecessária para quem tem planos de retornar ao Japão em dezembro desse ano.
   O clube e LAOR foram criticados quando do desmantelamento da Sereias da Vila e do time de futsal (que contava com a estrela Falcão em seus quadros). Adverti que o Santos, depois de dezembro, estava na prateleira de cima do futebol mundial e a manutenção de tal posição seria prioridade consumiria do clube muito mais do que possa imaginar nossa vã filosofia.
   Dito e feito! No dia 1º de março, na editoria de Opinião da Folha de S.Paulo, LAOR assina Viajar é Preciso (o conteúdo livre pode ser lido aqui), onde o comandante do Alvinegro Praiano ressalta a necessidade de maior participação dos clubes brasileiros em amistosos internacionais.
   Ficar só em jogos da Copa do Mundo de Clubes diante de equipes que levam para o Velho Continente o que há de melhor em termos de futebol sul-americano é jogar vinte vezes uma final para ganhar apenas uma. A falta de intercâmbio acaba sendo fator crucial (ou mortal) para o sucesso de boas equipes de nosso continente nas pugnas diante de equipes européias, por exemplo.
  O grande Santos de Pelé chegava a abdicar de participações na Taça Libertadores por conta desses amistosos. Aquela grande equipe do Peixe chegava a atrasar sua estréia no campeonato paulista em 60 dias. Tudo em nome de conhecer melhor os grandes adversários que tinha ao redor do planeta.
  O resultado foi uma equipe muito próxima do imbatível. Gênios da raça. As excursões forjavam aquelas grandes estrelas no trato com equipes de diferentes países e continentes. Dificilmente uma equipe como aquela era pega de surpresa numa final do que fosse. Havia conhecimento de causa.
   No auge do Santos, por conta das excursões, o Brasil disputou 4 Copas e venceu 3. Depois que o calendário começou a jogar contra as equipes brasileiras, foram 10 Copas, vencidas pelo time brasileiro apenas em duas ocasiões.
   Viajar é Preciso, diria LAOR. Concordo. Se a equipe do Santos tivesse o costume de excursionar dentro de um calendário alinhado com o continente europeu (apesar de ser pessoal contra esse alinhamento), teria até perdido a partida contra o Barcelona no dia 18 de dezembro último. Mas não pelo placar elástico que foi. Suspeita-se que o Santos não seria facilmente pego de surpresa.
   Contudo, o pequeno futebol brasileiro que temos hoje em dia, sob a batuta de um péssimo maestro, Mano Menezes, é reflexo de um presidente de CBF que não larga o osso nem à pissirica! Muito pouco pode se esperar de competitividade das equipes brasileiras numa Copa do Mundo de Clubes com mandatários que, em média, costumam fossilizar o futebol brasileiro com períodos raramente inferiores a 20 anos.
   É o famoso cada tem o que merece. Não acho que o futebol brasileiro merecesse tamanho descaso. Mas os próprios dirigentes colaboram para essa miséria que aí está.
   E saber que o Brasil, a jogar o que anda jogando, tem tudo para dar o maior vexame em história das Copas: se desclassificar ainda na fase de grupos, dentro de casa, diante de sua torcida..

Friday, February 24, 2012

BH Drops V

Panificadora ABC

   Quarta-de-cinzas e danei a caminhar pelo Funcionários e Savassi. Para a minha tristeza, eis o que sobrou da tradicionalíssima Panificadora ABC. Não vinha bem das pernas, estava fechada nos últimos tempos. Massa falida, uma conhecida incorporadora local desferiu o golpe.
   Pessoas sacavam de seus celulares para esse último registro, meio que como uma forma de despedida. Foi de doer no coração. Está em andamento, no Funcionários, o maior atentado contra o conjunto arquitetônico e patrimônio imaterial desse pedaço histórico de Belo Horizonte. Tudo em nome do progresso? Tudo em nome do progresso.
   A desfaçatez das incorporadoras, no meu modesto ponto de vista, é um caso de polícia. Não há o menor esforço de um contrapartida de preservação. Nas minhas andanças pelo Funcionários, vi várias casas todas no chão para a construção sabe-se lá do que. Certamente, acredito que as administrações públicas não nos representam.

Porta dos Fundos

   A Rua Tomé de Souza pode nos levar aos fundilhos do poder.

California Coffee

   O Dutch Ice marcou minha quarta-de-cinzas. Tirando o chantilly que estragou um pouco a harmonia do conceito. Lugar confortável, boa decoração e iluminação. Preços razoáveis. O conceito Starbucks aportando em águas brasileiras. Em breve teremos a resposta de quem é original ou simulacro.
   Mais uma vez, o Foursquare entregou o jogo quanto ao serviço. Algo do tipo evitem esse lugar às 18 horas. Em qualquer cidade acima de 200 mil habitantes, bom serviço é coisa do passado. Ou há exigência demais ou completa falta de paciência do público consumidor, achando que o tapete vermelho só se estende ao próprio umbigo. Numa quarta-de-cinzas, o California foi um exemplo de paraíso.

La Greppia

  Com o encerramento de atividades 24 horas do Paracone, na Avenida Brasil, próximo ao Colégio Arnaldo, o La Greppia ganhou força novamente. Na noite de segunda, perdidos foliões em suas fantasias e maquiagens batiam ponto no tradicional restaurante belorizontino.
   A hora e a vez das massas e o imbatível e inabalável feijão-tropeiro, esse néctar dos deuses nascido em terras mineiras. Lugares populares fazem a minha cabeça. Nada pode ser tão bom.

Quinze Minutos

   Ainda com um dos melhores chopp-suey da cidade. É outro lugar que a turma do bom garfo não pode deixar de ir.

Volta Roberto Drummond!

   Vejam que ironia... Com a reforma da Praça Diogo de Vasconcellos, na Savassi, preparando o espaço para se tornar um fan fest para a Copa de 2014, tiraram a estátua do maior cronista esportivo das Alterosas, um símbolo da essência atleticana.
   Se colocaram a estátua em outro lugar, não a encontrei. Vou lançar a campanha para que sua estátua volte à praça. Sem isso, talvez uma maldição muito grave caia sobre o futebol brasileiro.

Redentor

   Os mastigantes da esquina Fernandes Tourinho com Sergipe podem ser personagens de um sonho ruim. Entendi Roberto Drummond. Quem já morou nessas proximidades não troca Savassi pelo Santa Amélia nunca. É a garantia perene de se viver deslocado. Tudo o que um escritor pediu a Deus.

Saudade

   As Alterosas são como confete, pedacinhos coloridos de saudade. Sinto falta, às vezes. Espero nunca, por motivo algum, me afastar de Cidade de Minas.

Monday, February 20, 2012

BH Drops IV

Paz e sossego

     Como já dito em posts anteriores, alguns escritos nessa época do ano. Belo Horizonte no carnaval e se é possível andar nu pela cidade. Uma maravilha. Como boa parte dos belorizontinos deixam a capital mineira em busca de outras localidades (boa parte delas, praias), a cidade fica no jeito.
     Nada de filas, lugar para estacionar sempre, bons serviços, preços razoáveis. Quase uma sonho de cidade. A noite do domingo de carnaval até terminou cedo, mais ainda assim, acredito que é tudo o que um escritor sempre sonhou (ou quis). Paz e sossego, dentro de um mobiliário urbano, para criar.


Chop Stick San

    Uma grata surpresa na noite de domingo de carnaval. Inconfidentes, 1068, esquina com Alagoas, Savassi. Sushi e sashimi a rodo, preço bom, nada abusivo. Sobre o restaurante, o Vynil Bar, fechado na referida data (os reles mortais também tem direito a brincar o carnaval em alguma praia por aí).
    Alguns comentários pouco abonadores pelo Foursquare, mais uma prova de que redes sociais, nem sempre, são confiáveis. Longe de ser aquele restaurante japonês legítimo, se propõe trazer uma alternativa mais em conta no coração da Savassi. Bingo!

O Super Stadt Jever
(foto: Estado de Minas)
Stadt Jever

   Um dos mais tradicionais bares da capital mineira, sobre as próprias pernas por baixo uns 45 anos. Decoração única, típico pub holandês. Chopp escuro no jeito e uma cozinha alemã de por medo no mais destemido glutão.
    O Stadt Jever foi um bar que sobreviveu aos modismos que tanto caracterizam os belorizontinos. Pode parecer que não, mas o que faz a cabeça do morador da capital mineira é o que está na moda. Ainda assim, lugares como o Bolão e o Stadt Jever sobrevivem. Não me perguntem como, mas sobrevivem ao típico gosto por modinhas locais.
    Operará ao longo do carnaval, encerrando as atividades a 1 da manhã. O último freguês (que foi o meu caso ontem) não precisa apagar a luz, mas certamente terá de fechar a porta. É assim que eu gosto...

Silêncio

    O Barro Preto hoje pela manhã vazio. Padre Eustáquio quase que entregue às moscas. Apenas a força tarefa nas obras que cobrirão o Arrudas, ali na altura da Av. Teresa Cristina. Quando Belo Horizonte sai para brincar, ela fica irremediavelmente silenciosa. Quase noir.
    Ontem à noite, perucas, roupas coloridas, orelhas de coelho e cartolas verdes, brancas, azuis, a povoar as ruas da Savassi. Segunda a Juliane, era carnaval na Josefine. Eu sinceramente acho que não. Os restaurantes próximos da praça estavam cheios. Talvez, a maneira de brincar o carnaval daqueles que não quiseram enfrentar os trópicos perto da água do mar.