A essência da ficção - I
Mas, enfim, como nada é perfeito...
Valerá a máxima de que, todos nesse feriado, descansaram. Pelo menos o corpo. Já que as mentes tiverem que se interiorizar para pensar um pouco na vida, porque com a chuvinha lá fora...
Como há muito não escrevia nesse blog, em especial no tag de literatura, aqui vamos nós ao som de This Fire, do Franz Ferdinand... E seja o que Deus quiser...
Como escritor de uma primeira obra ainda inacabada, pelo mesmo motivo de que não sou frequente no meu próprio blog (a luta pela sobrevivência atendendo uma grande corporação internacional é para poucos, além de um grande consumidor do precioso tempo escasso que nos resta), venho aqui tentar apresentar para essa entidade próxima do utópico chamada leitor-do-meu-blog (está cada vez mais difícil achar alguém que passe mais de cinco minutos nessas humilíssimas páginas) do que é feita a ficção.
E entendendo ficção como sem referência a uma realidade, existente e concreta, além de fotografar o mais precioso dos bens na área literária e por muitos escritores abandonado, que damos costumeiramente o nome de estética.
Se o Belo é um valor ou um destino a ser alcançado, convenhamos que mais da metade da vitrine da Realejo Livros na Marechal Deodoro é papo de jornalista ou leitor com uma baita preguiça de persegur o valor estético. Constatação triste. Mas como o mundo é uma merda e fomos nós que o inventamos no formato como está, onde tudo é leniente, tudo é fluído, tudo pode, tudo é possível, botemos fogo em Hypias e a Contigo! embaixo do braço e vambora...
Sabemos que o século XX inteirinho foi obra do inimigo, mas entre mortos e feridos, algumas contribuições são incomparáveis. Valem tanto quanto a descoberta da piniscilina, do homem pisando na lua, do genoma, da invenção do ar-condicionado e da direção hidráulica. O conjunto de pensamentos sobre A Filosofia da Linguagem se nos foi favorável quanto ao processo de como podemos externar nossos movimentos de alma, teve como senão ser ignorada pela Escola de Frankfurt, que décadas mais tarde preferiu Freu a Wittgenstein (1889 - 1951). Mas isso é problema deles, não meu.
Na Filosofia da Linguagem, são três os pilares, simultaneamente e ao mesmo tempo cercando fases diferentes, o alemão Gottlob Frege (1848-1925), o inglês Bertrand Russel (1872-1970) e uma austríaco de nascimento, mas de vida acadêmica britânica, Ludwig Wittgenstein (Viena, 1889 - Cambridge, 1951).
Como matemático que era, Frege talvez tenha sido o último dos Moicanos a tentar abordar, derradeiramente, a Matemática pela Lógica, quase que impondo a si mesmo enxergar a primeira pelo prisma da segunda. Até conseguiu. Mas quando partiu para A Filosofia da Linguagem, viu que o buraco era mais embaixo e os viagras que tinha em mãos não era o suficiente para uma noite completamente entregue a sanha de concupiscência.
Até mesmo porque entra na jogada a questão do valor de verdade, que de uma certa forma tem tudo a ver com Sausurre e menos com Frege, apesar de sua inestimável contribuição. Se numa sentença como A estrela da manhã é a estrela da tarde, ou seja, a=b, seria necessário que o leitor da frase soubesse que o enunciado se remete ao mesmo referente.
Se a Lógica e a Linguística não fogem a questões cognitivas, logo o fundamental da questão, e para que o valor de verdade funcione para o receptor do enunciado, continua sendo a cognição. Tromba de elefante e mangueira fundamentalmente esguicham água, mas há uma diferença abissal entre os dois. Mas quem não procurou saber do que se trata uma tromba de elefante e uma mangueira, a semelhança perde sentido e o valor de verdade perde força.
Id est, cognição não aguenta uma cachola vazia. Ainda bem que não atiraram todos os livros na fogueira e que os reality shows jamais vencerão um bom texto escrito. Mas esse nó sobrou para Bertrand Russell desatar, habilmente descrito num próximo post. Aguardem!

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